27 de fev de 2007

Em busca da cerveja perfeita

Nada melhor do que aproveitar os dias mais quentes do verão bebendo boas cervejas. Não que seja necessário fazer calor para isso, só que quanto mais alta a temperatura, mais convincente fica a desculpa.

Em um desses dias quentes, entre um gole e outro, comecei a lembrar que pouco tempo atrás era missão das mais difíceis encontrar boa variedade de cervejas especiais aqui no Brasil. Eu mesmo só fui descobrir há uns quatro anos minha paixão pelas weiss, as cervejas de trigo.
Pelo que me lembro, a primeira que experimentei, por incrível que pareça, foi a Bohemia Weiss, no evento de lançamento. Depois resolvi provar a Erdinger, que tinha chegado um pouco antes ao Brasil com grandes investimentos em marketing e distribuição. Achei deliciosa e falava dela para todo mundo. Na época a Débora até me presenteou com um kit.
Mas a vida é um processo dinâmico e, certo dia, estávamos no Bier & Bier quando vi num quadro o distintivo do Bayern de Munique com uma marca em letras garrafais (sem trocadilho) ao lado: PAULANER.

Foi paixão ao primeiro gole e desde então procuro experimentar todas as cervejas de trigo que encontro para ver se alguma se compara. A mais próxima que encontrei foi a Weihenstephaner, cerveja mais antiga do mundo e sobre a qual pretendo dedicar um post em breve.
Recentemente, além da Oettinger, sobre a qual já postamos, provei a Franziskaner Hefe-Weissbier, com 5% de teor alcoólico.

Mas a única semelhança com a Paulaner é mesmo a cidade de origem, pois é bem mais amarga e apresenta apenas um leve sabor de banana. O gosto forte de malte tem seus méritos, mas não afasta a sensação de que alguma coisa está faltando. Já o cheiro é lamentável, segundo a Débora, semelhante ao da fumaça de churrasco.
Outra alemã de trigo que conheci agora foi a Licher Weizen, produzida desde 1854 e com 5,4% de álcool. Essa supera a Franziskaner com folga, tem bom aroma e sabor bastante adocicado. Porém poderia ser um pouco mais encorpada.
Em síntese, a minha busca pela cerveja perfeita continua esbarrando na Paulaner.

Sobre ela é importante dizer que apesar de ser uma das campeãs de exportação, toda a produção da cervejaria se dá na fábrica de Munique, esforço com o objetivo de não comprometer a qualidade.
A Hefe-Weissbier Naturtrüb (trigo clara) é frutada do começo ao fim. Seu aroma é de banana, um pouco de cravo e outras especiarias difíceis de distinguir. Simplesmente indescritível (apesar de eu ter acabado de tentar descrever). Espuma espessa e duradoura, cor turva puxando para o dourado. Encorpada, com 5,5% de teor alcoólico e equilíbrio perfeito entre amargo e doce. Essas são as características da melhor cerveja que já provei.
Como nem só de pão vive o homem (os alemães chamam a cerveja de trigo de pão líquido), vale destacar que as outras versões da Paulaner também são deliciosas. Uma delas é a Oktoberfest Bier, lager extra com 6% de álcool. Dourada, com muita espuma, bom corpo, levemente amarga e com forte gosto de malte. Imperdível!

Sugestão do chef: O ranking das cervejas de trigo claras do chef traz em 1º lugar a Paulaner, 2º Weihenstephaner, 3º Licher, 4º Eisenbahn e 5º Erdinger. Se você também tiver um ranking das weissbier, mande para nós!

25 de fev de 2007

Vegetariano ex(s)quisito!

Se você pertence ao grupo de pessoas que pensam que comida vegetariana é sinônimo de um prato repleto de folhas verdes com acompanhamentos sem gosto, certamente precisa conhecer o Gaia Gourmet Vegetariano.

Em um salão com decoração um tanto esquisita, a princípio você vai pensar que está no restaurante preferido do conde Drácula ou da família Adams. Mas fique tranqüilo que risoto de morcego e sopa de aranha não fazem parte do cardápio, afinal, estamos escrevendo sobre um restaurante vegetariano.


Por R$ 15 de segunda a sexta e R$ 17 aos sábados, domingos e feriados é possível se deliciar com sopa, salada e ainda escolher entre duas opções de prato principal, suco e sobremesa, que variam conforme o dia da semana. A comida é boa e os pratos chegam à mesa montados no bom estilo gourmet. Se achar a porção pequena, não se preocupe pois é possível repetir o prato ou escolher a segunda opção do dia sem nenhum custo extra.

O chef do local usa e abusa dos temperos, molhos e especiarias para deixar a refeição sempre “exquisita”, que traduzindo do espanhol para o português quer dizer gostosa ou saborosa. Arroz marroquino, polpetone de soja com tomate seco e mussarela de búfala, penne ao molho de quatro queijos e risoto de quinua com abobrinha são algumas das opções encontradas no Gaia. Sucos exóticos como melancia com laranja, uva com goiaba e tangerina com gengibre também aparecem com freqüência. As sobremesas não costumam ser nenhum espetáculo, porém nada a ponto de comprometer a qualidade do restaurante.

A casa é freqüentada por um público diversificado, mas o pessoalzinho descolado e alternativo da região de Pinheiros prevalece.

Sugestão do chefe: Quarta-feira é o único dia com três pratos principais para escolher, já que a feijoada vegetariana é o carro-chefe do dia e por esse motivo é fixa no cardápio.

Gaia Gourmet Vegetariano: Rua Cônego Eugênio Leite, 1152 – Pinheiros – São Paulo – SP.
Telefone: 3031-0680 Site:
http://www.gaiavegetariano.com.br/

Alemã campeã de vendas

Só agora começa a ser vendida no Brasil a Krombacher Pils, cerveja mais vendida na Alemanha.

Assim como no Brasil, ser a mais vendida não significar ser a melhor, no entanto a diferença entre a campeã de vendas e as campeãs de qualidade é muito, mas muito menor no país europeu.
Para começar, a Krombacher é bem mais leve e refrescante que a maioria das pilsen germânicas. Chega, em certos momentos, a lembrar algumas premium brasileiras, com a vantagem de não deixar aquele gosto ruim na boca no final. Talvez isso seja reflexo da diferença que faz o respeito à Lei de Pureza.
Apresenta bastante espuma e 4,8% de teor alcoólico. Se for pra dar um veredicto, digamos que ela pode até não apaixonar, mas, sem dúvida, é uma boa cerveja. Além do mais, com tanta leveza dá pra beber aos montes sem se dar conta.

Sugestão do chef: Aproveite pois seu preço é um pouco mais baixo que o das outras alemãs.

22 de fev de 2007

Status à moda brasileira

Depois da Hägen Daz e da Fogo de Chão, infelizmente somos obrigados a retomar a série “Famosos, premiados e decepcionantes”. Fomos vítimas dessa vez do restaurante Tordesilhas, especializado em comida brasileira.


Quando estivemos por lá, a casa estava prestes a mudar o cardápio. E a troca já deixava algumas marcas. Um exemplo é a salada com arroz selvagem que constava no menu em vigor porém não estava mais disponível, já que o ingrediente deixaria de ser utilizado após a reestruturação. Tudo bem, resolvemos dividir um cuscuz paulista.

Para desculpar a falha, o atencioso garçom trouxe logo dois como cortesia. Ambos deliciosos, o que já nos deixou empolgados.
Passado o bom começo, olhamos o cardápio com calma e, como numa transmissão de pensamento, nos olhamos com a mesma pergunta em mente: onde estão as frutas brasileiras? É, cadê o açaí, a mangaba, a graviola? Cupuaçu só em um dos sorvetes. Mesmo nos sucos, apenas os sabores básicos... Lamentável para quem alardeia o detalhamento de sua pesquisa culinária.
Por falar em pesquisa culinária, alguém já viu comida brasileira sem fartura? Nós vimos, no Tordesilhas. Prova maior (ou menor) disso foi o filé de peixe ao molho de hortaliças.

Ainda bem que nos avisaram que o peixe utilizado era o filhote do Amazonas, só não imaginávamos que eram dois filhotinhos mesmo, provavelmente recém nascidos de tão pequenos. Mais um punhado de um contestável purê de banana-da-terra e estava composto um prato pelo qual pagamos mais de R$ 30.
Ainda mais caro (R$ 37) foi o robalo ao molho de moqueca com caruru, acaçá e farofa de dendê.

Farofa que, aliás, não tinha nem aroma de dendê e parecia mais aquela farinha que vem embrulhada no saquinho junto do frango assado de padaria. Quanto ao restante do prato, estava bom, porém nada que justifique a fama do restaurante. E, principalmente, nada que matasse a nossa fome, apesar de melhor servido.
Apesar de ser um sábado, ficamos curiosos pra saber como seria o serviço do restaurante durante a semana.

Foi aí que descobrimos que as opções eram: PF mineiro, PF paulista e assim por diante. Tudo bem que a proposta seja resgatar receitas tradicionais, mas foi impossível não imaginar que cena bizarra seria alguém pedir um PF e, tempos depois, ser servido de um pedacinho de carne, um tiquinho de arroz...
Pra ninguém dizer que não falamos das flores, as sobremesas estavam ótimas, sobretudo o pavê de chocolate com café, cristais de pimenta-de-cheiro e toque de tamarindo (R$ 12), que mistura com maestria o doce, o azedo e o amargo.


Pena que os quitutes foram insuficientes para brecar nossa insatisfação. Tudo bem que os críticos dizem que todo restaurante merece ao menos três visitas, mas para blogueiros despretensiosos fica difícil pagar a conta do Tordesilhas mais duas vezes. E ainda sair de lá com fome!

Sugestão do chef: Caso resolva arriscar uma visita, peça pra beber o ótimo mojito. É que a quantidade de hortelã presente na bebida é um dos raros momentos de fartura propiciado pelo Tordesilhas.


Tordesilhas: R. Bela Cintra, 465 – Jardins – São Paulo – SP
Tel.: (11) 3107-7444 – Site:
http://www.tordesilhas.com/

20 de fev de 2007

Gelados da Amazônia

Genuinamente brasileira, a Taperebá traz a proposta de oferecer sorvetes feitos de frutas típicas da Amazônia e isentos de gordura (dois sabores por R$ 7).

São 16 sabores expostos no balcão da pequena sorveteria, entre eles os ótimos açaí, cupuaçu e a fruta que dá nome à casa, que tem por característica o sabor azedinho e também é conhecida como cajá.

Ponto fraco é o sorvete de castanha-do-Pará, excessivamente oleoso.

Sugestão do chef: Os sorvetes são mais refrescantes que consistentes, por isso passe por lá em dias de forte calor.

Taperebá: Av. Macuco, 703 – Moema – São Paulo – SP
Tel.: (11) 5052-0330 – Site:
www.tapereba.com.br

Muito além do alfajor

No ano passado, o Havanna Café desembarcou no Brasil trazendo os famosos alfajores de Mar Del Plata.

Apesar da fama, a guloseima não é o que a cafeteria argentina pode oferecer de melhor: o ponto alto mesmo é um doce típico do Uruguai. A torta Rogel (R$ 8) é feita com uma leve massa em várias camadas, intercaladas com o delicioso doce de leite argentino e, como se não bastasse, ainda recebe cobertura de marshmallow.

Recentemente resolveu copiar o Santo Grão contratando atendentes moderninhos.

Sugestão do chef: Entre os freqüentadores prevalece o “estilo Jardins”. Mas deixa isso pra lá, a torta Rogel compensa.

Havanna Café: R. Bela Cintra, 1829 – Jardins – São Paulo – SP
Tel: (11) 3082-5722 Site:
www.havanna.com.br

18 de fev de 2007

Portal Orgânico responde à revista Veja

Na edição da semana passada, a revista Veja publicou matéria na qual, acreditem, tenta convencer seus leitores de que não existe vantagem nenhuma em consumir alimentos orgânicos.
Entre outras afirmações, o texto dizia que considerar os orgânicos mais saudáveis por não conterem agrotóxicos não passa de uma “percepção leiga”. O Portal Orgânico publicou uma resposta à matéria, apoiada por cerca de 70 empresas, instituições e pesquisadores da área. Vale a pena entrar lá e conferir:
http://www.portalorganico.com.br/

13 de fev de 2007

Beleza australiana

Vem de muito longe uma novidade que começa a aparecer nos empórios brasileiros. É a cerveja australiana Coopers, vendida por aqui em três versões. Experimentamos uma delas, a Pale Ale, com 4,5% de teor alcoólico e sabor um pouco mais leve que as congêneres.

Num teste cego (sem Kaiser, claro) pode ser que alguém confunda seu sabor com uma pilsen. Parece exagero, e pode até ser, mas digo isso pela leveza e pela ausência de amargor. Na aparência, porém, ela não engana: sua cor âmbar denuncia se tratar de uma pale ale.

Sugestão do chef: Experimente sem grandes pretensões, pois não é a melhor cerveja que você já tomou. Mas é boa.

“Sete conto uma garrafa?”

Já falamos algumas vezes e falaremos outras mais sobre cervejas importadas e brasileiras especiais, portanto nada mais justo que indicarmos um local para comprar boa parte delas. Mas se você ficou esperando comentário sobre um luxuoso empório, pode esquecer, pois o Imigrantes Bebidas está mais para um atacadão mesmo.

Espaço democrático no qual gente ávida por vinhos e cervejas artesanais esbarra em clientes que se dirigem ao caixa com um litro de 51 para a caipirinha de domingo.
Pra se ter idéia de quão pluralista é o lugar, em uma das últimas compras presenciamos cena que já virou lenda para nós. Enquanto um casal enchia o carrinho de Norteña, vendida a R$ 6,99, um tiozinho de camisa aberta e bigodinho no melhor estilo malandro carioca berrava espantado: “Sete conto uma garrafa?”. E, ainda revoltado, seguia para degustar em copo de plástico uma aguardente envelhecida em chapas de compensado.

Sugestão do chef: Vinho, cerveja, uísque, vodka, licor, saquê, suco de uva integral. Tem tudo isso lá, disponível no atacado ou no varejo.

Imigrantes Bebidas: Av. Miguel Stéfano, 2096 – Água Funda – São Paulo – SP – Tel: (11) 5058-2099 - Site: http://www.imigrantesbebidas.com.br/

9 de fev de 2007

"Causando" na Fogo de Chão

Depois de três longos anos planejando, cumprimos a tão esperada promessa de conhecer a churrascaria Fogo de Chão.

Eleita detentora do melhor churrasco de São Paulo pela Veja, Gula, entre outras, e sempre muito bem cotada no meio gourmet, a Fogo de Chão tem como proposta a fidelidade ao autêntico churrasco gaúcho. Com cinco unidades no Brasil e oito nos Estados Unidos, a churrascaria agrada muito aos turistas estrangeiros, especialmente os da terra do Tio San.

A decoração é exuberante (inclusive com carpete no chão, coisa que nunca tínhamos visto em outros restaurantes!), os garçons vestem trajes típicos e há uma imensa adega cercando toda a área do salão principal.

Por R$ 65, o rodízio oferece picanha, bife ancho, fraldinha e diversos outros cortes nobres. A carne é gostosa, mas nada de espetacular. Achamos, inclusive, que em alguns cortes faltava sal.
A mesa de saladas é básica, apenas um pouco mais “arrumadinha”, o que a faz parecer luxuosa.

A caipirinha, bebida mais apreciada pelos “gringos”, é servida em copo pequeno e sua versão com saquê sai pela bagatela de R$ 19.

Um fato curioso foi prestar um pouco de atenção nas pessoas presentes e ver que a grande maioria parecia estar uniformizada: vestidos e jóias para as mulheres; calça, camisa (ou pólo) e mocacim para os homens. Em seus pratos também não se via a tradicional fartura da comida brasileira.
O almoço foi bom, mas já comi em churrascarias mais simples, inclusive na região Sul, com preços muito menores e qualidade igual ou superior a apresentada pela Fogo de Chão.
Mas não pense você que tivemos um almoço indigesto, ao contrário, ele foi muito divertido! É que logo na chegada à churrascaria, o Fernando não conseguiu disfarçar a ansiedade de finalmente estar ali e “causou” (como ele mesmo costuma dizer”) uma cena muito engraçada, um verdadeiro “mico”, usando a linguagem popular. No saguão de entrada há uma mesa com alguns sofás e em um deles estavam sentadas duas moças, que petiscavam castanhas servidas especialmente para elas. Quando o Fernando entrou, a primeira coisa que fez, antes mesmo de cumprimentar o garçom, foi ir direto ao pote de castanhas para pegar algumas. Gentil, como sempre, ainda fez questão de me oferecer! Foi aí que os elegantes e refinados garçons da churrascaria caíram no riso, mas nem assim o ladrão de castanhas percebeu o motivo de tamanha alegria.
Isso me rendeu uma ótima história para contar pros netos, além da oportunidade de rir durante o almoço um tanto quanto sem sal.
Na hora de ir embora, a conta chegou com duas drágeas de chocolate de menta. Na saída, um daqueles garçons risonhos trouxe um punhado dessas drágeas e entregou para o Fernando. Acho que essa foi a forma que ele encontrou de evitar mais um furto e precisar chamar os seguranças...
E aí que tudo isso me lembrou aquele comercial da Master Card: caipirinha de saquê, R$ 19. Rodízio por pessoa, R$ 65. Causar dentro da churrascaria preferida da elite paulistana, não tem preço!

Sugestão do chef: Termine com a Homenagem ao Porto, um delicioso mousse de chocolate crocante com recheio de vinho do Porto e molho nougat. A sobremesa vem coberta de pó de ouro e acompanhada de uma taça de vinho do Porto.


Fogo de chão: Av. dos Bandeirantes, 538 – Brooklin – São Paulo – SP – Tel: (11) 5505-0791 – Site: www.fogodechao.com.br

8 de fev de 2007

Alemã sem corpo

A Oettinger Hefeweissbier Naturtrüb (trigo clara) até começa bem. O aroma agrada, a cor lembra suas melhores concorrentes e no primeiro gole o gosto satisfaz.

Em geral, não é frescura dizer que uma cerveja de trigo é frutada. Nessa, em especial, percebem-se “notas” (baixou o Saul Galvão) de banana e, no final, gosto de especiarias, principalmente cravo.
Porém, em se tratando de cerveja não é mesmo a primeira impressão que fica. Ao continuar a degustação se torna fácil notar o excesso de gás, a ausência de espuma – imperdoável para uma weiss – e, o mais frustrante, uma leveza desproporcional que se traduz em falta de corpo, deixando a bebida até um pouco aguada.
Futuramente vamos provar a versão engarrafada para verificar alguma diferença. Por enquanto, dá pra dizer que, apesar de produzida desde 1731, a Oettinger é prova viva de que nem tudo que reluz é ouro. Ou, na linguagem do chef, nem tudo o que vem da Alemanha é cerveja excelente.
E por falar nas cervas germânicas, enquanto lá eles definiram há 500 anos que conservantes e cerveja não formam par, por aqui alguém deve ter achado mais importante definir que as latas de cerveja precisam ser todas iguais: claras, com tons dourados e letras, na maioria das vezes, em vermelho. Provavelmente menos por culpa dos nossos designers de embalagem do que da ausência de ousadia dos executivos que aprovam as criações deles. Repararam como até uma cerveja alemã razoável é acondicionada em uma linda lata?

Sugestão do chef: Só leve pra casa se a única outra opção de cerveja de trigo disponível na prateleira for a Bohemia Weiss.

7 de fev de 2007

Bendita Pizza

Há quase um mês está no ar este blog (antes em outro endereço) feito por dois paulistanos e até agora nenhuma mísera referência à palavra “pizza”. Sem perder tempo tentando justificar o injustificável, vamos logo falar sobre a Bendita Hora, pizzaria de sucesso no bairro de Perdizes.

Quem chega passa pela sala da casa e dá de cara com um rústico bar e uma coleção de vinis de fazer inveja. Ao atravessar o corredor já é possível ter idéia da beleza da área externa dessa antiga chácara com ambientes pra lá de agradáveis. A luz baixa torna o clima propício para um vinho em boa companhia, apesar da enxuta carta.

Durante a semana a casa serve uma mesa de antipastos, mas o que interessa mesmo são as pizzas.

Quem gosta de massa fina vai se deliciar, por exemplo, com a francesa, que leva mussarela, catupiry, tomate seco e azeitonas pretas (R$ 38). Ao contrário da imensa maioria das pizzarias, a Bendita Hora corta as redondas em doze pedaços, e não em oito. Bom principalmente para mesas com muita gente.


O ponto negativo foi conferir a conta e perceber que a casa cobrava o dobro do preço marcado no cardápio pela dose de baileys, que pedimos para acompanhar o sorvete. São “equívocos” desse tipo que, por coincidência, jamais beneficiam o cliente.


Sugestão do chef: Em vez de finalizar com um goró para auxiliar a digestão, peça um cafezinho, que, além de muito encorpado, vem acompanhado de uma exótica gelatina feita de pinga.


Bendita Hora: R. Vanderlei, 795 – Perdizes – São Paulo – SP – Tel: (11) 3862-0622 — Site: www.benditahora.com.br

6 de fev de 2007

Portuga bom e barato

Sim, existe um lugar em que é possível comer um ótimo bacalhau sem zerar a conta bancária. É o Ora Pois!, restaurante português da boêmia rua Fidalga, na Vila Madalena.


Comece pela excelente porção de bolinhos de bacalhau (R$ 12), crocantes por fora e cremosos por dentro, sem dúvida os melhores que já provamos. Tão bons que quando lembramos de fotografar só restava o último.

Como prato principal, são várias as opções de bacalhau para duas pessoas, todas acompanhadas de arroz branco e com preço abaixo dos R$ 40. O bacalhau à espanhola (R$ 30) leva lascas do peixe com pimentão, grão de bico e batatas, tudo com bastante azeite.

Se for pedir um vinho, opção de ótimo custo X benefício é o Real Lavrador (R$ 23 a garrafa, R$ 7,50 a taça). Agora, se preferir tornar a bebida companhia para a sobremesa, saiba que o vinho do Porto Adriano cai muito bem com qualquer um dos doces portugueses servidos na casa.
Aliás, se existe uma falha no restaurante é o fato do cardápio não explicar bem as características de cada doce. A impressão que fica é que meia-dúzia deles são idênticos, o que não é verdade. Nada que chegue a comprometer.

Sugestão do chef: Ficou na dúvida na hora de escolher? Chame o garçom Paulo. Sempre de bom humor, ele dará as melhores dicas sobre que prato pedir, que bebida escolher e quais as combinações mais apropriadas.

Ora Pois!: Rua Fidalga, 408 – Vila Madalena – São Paulo – SP
Telefone: (11) 3815-8224 – Site:
www.orapoisrestaurante.com.br

Inconstância atrapalha boa proposta

O Bar Anhanguera parecia ter surgido pra quebrar a monotonia dos bares que aparecem a todo instante em São Paulo apostando exclusivamente na dupla cervejas básicas e carnes grelhadas. O problema é que não basta ser diferente, é preciso manter a qualidade.


Mas vamos começar com a parte boa. Por lá, é possível encontrar diversas cervejas especiais produzidas em terras tupiniquins, como a mineira Backer, a fluminense Therezópolis Gold e a gaúcha Dado Bier (entre R$ 4 e R$ 15), ainda raras em solo paulistano.

Na primeira visita, a gelada que aguçou mesmo nossa curiosidade foi uma pilsen chamada Haus Bier, da qual eu, Fernando, que saio por aí me passando por cervejeiro, nunca tinha ouvido falar. O detalhe mais curioso é o seu local de origem, a longínqua cidade de Vilhena, em Rondônia.

Pedi logo pra ser apresentado a uma long neck e gostei bastante. É leve, porém saborosa, acima da média das pilsen mais populares do mercado. Semanas depois fiquei sabendo que em Porto Velho tem até choperia da Haus Bier. Entrou pra lista de locais que o Brincando deve conhecer.
Outro ponto positivo do bar é o atendimento. Quem pede uma cerveja especial por lá não corre o risco de observar fenômeno comum em alguns outros locais: ver o rosto do garçom se transformar em um enorme ponto de interrogação logo após ouvir o pedido.
Até aí a proposta funciona bem, porém chegou a hora de justificar o início do texto. Pois bem, é nos tira-gostos que a coisa pega. Na primeira visita, do criativo cardápio, inspirado nas cinco regiões brasileiras, escolhemos a porção de nome Moraes Navarro, que consiste em bolinhos de carne com castanha-do-Pará. De imediato se tornou candidata ao I Prêmio Brincando de Chef de Gastronomia, que promoveremos em dezembro. Porém, em um outro dia (na 3ª visita) , a delícia de outrora tinha se transformado em uma fritura encharcada em óleo e com um inexplicável gosto de salgadinho requentado no microondas.

Depois de algumas cervejas pra tentar esquecer, resolvemos pedir a sobremesa de nome São Francisco. Tradução: quindim com sorvete de tapioca e saladinha de frutas. Depois da primeira colherada, chegamos ao consenso de que aquela não era nossa noite. Isso porque também já tínhamos provado antes e ficado com água na boca. Dessa vez, o quindim não parecia o mesmo e o sorvete artesanal de tapioca tinha sido substituído, sem qualquer aviso, por sorvete de coco desses de supermercado.

Um pena, pois é um lugar agradável, com bom atendimento, ótimas opções de cerveja e fica fora do manjado circuito noturno da cidade. Só resta esperar que o Anhanguera corrija os erros e que tudo não tenha passado de desacertos em uma noite cujo movimento estava acima do normal.

Bar Anhanguera: Rua Tito, 25 – Vila Romana – São Paulo http://www.baranhanguera.com.br

3 de fev de 2007

Azeite na teoria e na prática

Entender a classificação dos azeites de oliva virgem, conhecer detalhes sobre a produção desde a colheita até a prensagem, aprender o que é importante observar na hora da degustação. Tudo isso já seria motivo suficiente para visitar o site da Casa do Azeite Espanhol, entidade que promove o consumo do azeite daquele país em terras brasileiras. Mas a melhor notícia mesmo é que quem navega pela página pode ganhar ótimos livros de receita.

Para tanto basta responder a um quiz on-line sobre azeite. Nem é preciso ser expert no assunto porque antes de arriscar um palpite dá pra consultar uma enciclopédia virtual com todas as informações detalhadas.
Cada resposta certa vale 10 pontos e com 75 acertos você já poderá receber em casa o livro Reescrevendo a culinária brasileira com azeite de oliva espanhol (144 págs.). Resultado de um ano de pesquisa, a obra traz adaptações de 88 receitas típicas das cinco regiões brasileiras, como moqueca capixaba, feijoada carioca e pudim de tapioca.
E se você perdeu a paciência só de pensar em ter de responder a tantas perguntas de uma só vez, outra boa notícia é que, efetuado o cadastro no site, é possível voltar a responder o quiz a qualquer momento, sem perder a pontuação conquistada.

Casa do azeite Espanhol: www.azeite.com.br
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